Por Edney Souza*

extremelyfastdeliveryNa pré-história da comunicação era o mensageiro que, caminhando ou galopando, de uma cidade para outra, anunciava as novidades a povoados isolados e ávidos por receberem informações de seus vizinhos distantes. Ou por afeto, no caso de parentes, ou por precaução, no caso de pestes e saqueadores, manter-se informado tornou-se um fator importante para a sobrevivência dos povos.

A tecnologia trouxe o telégrafo, o telex, o fax e finalmente o e-mail. Com o crescimento da velocidade e facilidade de transmissão da informação, o privilégio deixou de ser de povoados e empresas e passou a ser do indivíduo. Hoje alguém só precisa recorrer aos correios para envio de bens materiais, levar informação pra lá e pra cá não é mais privilégio de quem tem boa saúde, um bom cavalo ou um aparelho caro. Mesmo não tendo computador o indivíduo pode enviar suas mensagens em uma lan house a partir de R$ 0,50 (cinquenta centavos) a hora.

Para a geração mais jovem e-mail também já é coisa do passado. Ele ainda é um mal necessário para criar uma conta em algum mensageiro instantâneo (como o MSN ou o GTalk), para se cadastrar em alguma rede social (como o Orkut ou Facebook) ou para utilizar softwares de voz (como o Skype). Com a vantagem de que nessas ferramentas os usuários podem, além de conversar em tempo real, trocar arquivos, fotos, links, jogar, gravar vídeos e podcasts. Tudo isso simultaneamente com uma ou mais pessoas. Alguns desses serviços já permitem cadastro via celular (usando SMS), talvez isso seja o começo da extinção do e-mail.

Para quem vive nesse turbilhão de estímulos visuais e auditivos, ler um jornal ou revista por vez, ou assistir um único programa de televisão, parece algo como esperar um mensageiro trazer novidades a cavalo. Obviamente essas mudanças não ocorrem da noite para o dia (o aparelho de fax do meu lado que o diga), mas precisamos experimentar, estudar e procurar entender como a comunicação está nos transformando através da tecnologia.

Dizer que blogs, sites e jornais competem entre si é uma grande besteira. Obviamente há uma disputa de atenção, mas o que menos importa é o formato. A grande maioria das pessoas vai repassar a informação indicando um link e avisando que leu algo interessante na internet. Se um texto for bem apurado e redigido ele será viralizado, comentado e buscado, não importa o tipo de site que o divulgou.

Além da qualidade a velocidade é outro fator importante. Não adianta produzir algo fantástico uma semana depois. Dependendo do assunto não adianta publicar nem no dia seguinte. Assuntos de grande interesse popular demandam atenção minuto-a-minuto e nesse cenário os microblogs, em especial o twitter, levam vantagem.

O Twiter é a grande febre do momento, o curioso é que é uma ferramenta extremamente simples. A vantagem é a flexibilidade e agilidade. Se quero divulgar um link ou compartilhar uma frase bacana, não preciso me logar em algum computador ou usar algum software especial. Posso fazê-lo dentro de outro software ou rede social em que eu já esteja, ou utilizar meu celular. Depois que você se acostuma, fica difícil atualizar o blog. Passa a requerer, além de disciplina, tempo e disposição para construir algo que valha a pena ler mais de 140 caracteres.

Não sei se o twitter vai durar muito tempo, mas tenho certeza de que o formato de microblog terá uma sobrevida significativa. Da mesma forma que o ICQ já deixou de fazer parte do cotidiano do internauta, abrindo espaço para outros mensageiros instantâneos. Pode ser que o twitter dê espaço para algum concorrente, mas é dificil imaginar o dia-a-dia de um monte de pessoas que eu conheço sem nenhum tipo de microblog para acompanhar sua rotina digital.

O lado bom, pra mim que sou blogueiro, é que não dá pra resumir reflexões como essas em apenas 140 caracteres, fazendo com que, não só blog, mas todas as plataformas de conteúdo continuem importantes. Porém se eu não avisar no twitter sobre o que escrevi aqui, minhas chances de que esse texto seja lido e compartilhado diminuirão drasticamente.

Aliás, ao consumir seu texto o leitor tem de querer compartilhá-lo. Se não for para escrever algo que valha a pena ser debatido e discutido então é melhor refletir um pouco mais antes de colocar na rede. Não significa que as pessoas tem de sair comentando loucamente o que você escreveu ou distribuir seu link em todos os cantos, mas aquela idéia precisa permanecer na mente do seu leitor e infectar outras pessoas nas conversas que ele terá dali em diante. Talvez você não ache seu link por aí, mas vai achar trechos do que você escreveu remixado com outras idéias que ele colheu pela rede, se você conseguir isso parabéns, então valeu a pena publicar. :)

*Edney Souza, ou Interney, é diretor de operações da Polvora! Comunicação.

14 comentários em " Tecnologia e Comunicação: Como ICQ, Blogs e Twitter nos influenciaram? "

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  • Ótima reflexão, Edney. Vivemos uma quebra de paradigmas no que diz respeito aos meios de comunicação, literalmente falando. Para quem usa e vive mídias sociais, a informação raramente se perde. De uma forma ou de outra, cheia de mutações (ou “remixada”) ou limpa, o que realmente interessa sempre se propaga.

    Do seu texto, só discordo da parte do e-mail. Sou um defensor ferrenho dessa ferramenta tão subjugada atualmente. O e-mail é como a caixa de correio na frente de casa. Não substitui TV, jornal ou rádio, mas tem sua importância, é um local que, em tese, posso ser encontrado a qualquer momento, em qualquer lugar, para tratar de qualquer assunto, especialmente os privados.

    []’s!

  • Berlitz disse:

    Muito bom o post! É o que penso. Guardado para ser remexado com outras ideias.

  • Edney Souza disse:

    Oi Rodrigo, eu sou super adepto do e-mail, é meu principal canal de comunicação hoje, mas sou forçado a admitir que para minha sobrinha de 19 anos ele não significa tanto assim :(

  • suzana disse:

    Ei Edney, ótimo texto ;) Adoro essas comparações com telégrafos e pombos-correio da vida. Outro dia me questionavam sobre o possível fim do twitter. E acho que é exatamente como vc falou. O twitter em si pode até acabar, mas o formato de microblog vai continuar pairando por aí. Boa comparação do ICQ com os IMs.

    E mais, vivemos mesmo a cultura da remixagem e isso é genial!

    Rodrigo, sobre o e-mail, tenho a seguinte observação: para você ele pode até ser importantíssimo, assim como para mim tb é. Mas para os adolescentes a realidade é outra. Não adianta: se quer comunicar algo de urgente para um teen, use uma rede social ou o celular. Se depender do e-mail, 15 dias se passarão, pode saber!

    Abs!

  • Cris disse:

    É uma realidade, a tecnologia e a necessidade de comunicação imediata, vão deixando para tras velhos conhecidos nossos, e temos que estar sempre nos adaptando as novidades. Entretanto, não abro mão do meu blog, lugar em que posso expressar minhas ideias, como aqui, em mais de 140 caracteres. O email é necessário quando o assunto é particular, não podendo ser lançado no twitter.

    Esse post, foi ligo porque o twitter me trouxe até aqui.

    Beijocas

  • Andressa disse:

    Ótimo texto, essa é a realidade da maioria das pessoas, independente da idade.
    Eu tenho 17 anos e percebo isso de um modo intenso.
    Leio revistas, mas sempre demoro dias até conseguir sossegar e só ler aquilo. Praticamente todas as minhas fontes de informação e entretenimento são digitais. Por exemplo, sequer toco em jornais impressos, ao invés disso assino feed de vários jornais e acesso meu reader algumas vezes ao dia para ler o que me interessar.
    A única coisa digitalizada a qual não consegui me adaptar foram os e-books. Ainda acho que nada substitui um livro impresso, apesar dos inconvenientes logísticos.
    Só não concordo que o Twitter esteja “diminuindo” outros modos de comunicação, como e-mail ou blogs. O e-mail existe para assuntos particulares, que só devem ser vistos pelo remetente e pelo destinatário, e para assuntos profissionais, afinal as pessoas não enviam currículos pelo Twitter ou pelo Facebook. Quanto aos blogs, talvez não sejam mais uma fonte de informação, mas ainda são fortes formadores de opinião. Uma prova disso é que cheguei aqui pelo Twitter e gostei do texto a ponto de comentar.

  • Sou tão desligada q conheço o Interney há anos e só hj vi que vc originou o site. Sou amiga do Ina.
    parabéns.
    Concordo com vc e acho que esta discussão de que blog está morrendo me lembra “teatro está morrendo”.
    Abs, Laura

  • Silvia. disse:

    Descobri essa crônica, no twitter e realmente achei boa e sensacional e concordo pelo fato que certas coisas não podem ser faladas em 140 caracteres.
    Parabéns!

  • Do papel para o byte. Aonde nosso mundo vai parar? Podemos avaliar isso ainda de uma outra forma: certo conceitos nunca irão morrer, como o papel, que nunca irá acabar, mas que ao longo dos séculos teve sua utilização mudada até chegar a era da informação.

  • Olá Interney,

    Achei o texto significativo e sóbrio também.
    Vindo de você ganha mais relevância o fato de que os microblogs não irão acabar com o formato dos blogs como muitos tem divulgado.

    O microblog realmente terá vida longa, até mesmo porque empresas como a Microsoft, Oracle e IBM estão adqueando seus produtos para esta tendência. Acho a adoção no meio corporativo um diferencial para que o sucesso da ferramenta seja prolongado.

    Parabéns pelo ótimo texto e pelas comparações oportunas.

  • Viviane Diniz disse:

    Curso de Especialização em Pesquisa de Mercado e Opinião Pública – UERJ

    Inscrição
    15 de setembro a 12 de novembro de 2010.
    Objetivo

    O curso visa a formação de pessoal qualificado para o exercício de atividades profissionais na área de Pesquisa de Mercado e Opinião Pública.
    Público Alvo e Pré-Requisito

    Graduados em Comunicação Social e demais interessados com graduação plena ou tecnológica.
    Local e Horário
    Local do curso:
    10º andar / Bloco F / sala 10.129
    Horário:
    Segundas, terças e quintas-feiras, das 19h às 22h
    Carga horária:
    375 h
    Programa

    - Pesquisa de Marketing;
    - Sociologia do Consumo;
    - Comportamento do Consumidor
    - Informática Aplicada à Pesquisa de Mercado e de Opinião – SPSS;
    - Análise Quantitativa;
    - Análise Qualitativa;
    - Metodologia do Trabalho Científico;
    - Pesquisa Social;
    - Opinião Pública;
    - Marketing;
    - Gerenciamento de Projetos;
    - Palestras com Profissionais de Mercado;
    - Monografia.

    Coordenação

    Prof.º Ricardo Ferreira Freitas; Doutor em Sociologia pela Sourbonne.
    Instrutores

    Professores:
    Fábio Coutinho/ Gonçalo Bezerra / Herich Ulrich / Yuri Mourão / Luis Pessôa / /Ricardo Silva / Rogério Garber / Tânia Almeida/ João Carlos Guedes
    Critério de Avaliação

    - Prova escrita sobre conhecimentos gerais e questões de raciocínio lógico;
    - Entrevista;
    - Análise do currículo.
    Contato

    Secretaria de Pós-Graduação da Faculdade de Comunicação Social/FCS
    Rua: São Francisco Xavier, 524- Pavilhão João Lyra Filho
    10º andar, Bloco F, sala 10.129, tel: (21) 2334-0300
    Horário de atendimento: 14h às 19h
    e.mail: secretaria.pmop@gmail.com
    http: //www.fcs.uerj.br/

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