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Jornalista, professor de ética jornalística na Faculdade Cásper Líbero de São Paulo, doutor em Ciências da Comunicação pela Escola de Comunicações e Artes da USP e consultor em novas mídias, em comunicação, Caio Túlio Costa foi ombudsman do jornal Folha de S. Paulo e diretor dos portais UOL e IG. É autor de quatro livros: O que é Anarquismo, Cale-se, Ombudsman – O Relógio de Pascal e Ética, jornalismo e nova mídia – uma moral provisória.
Abaixo, a entrevista concedida por e-mail para o ComRemix:
ComRemix – Com a imensa disponibilidade de fontes encontráveis via web, a tradicional caderneta de contatos do jornalista perdeu força, igualando as possibilidades para comunicadores on e offline. Até que ponto isso é verdade?
Caio Túlio Costa – Em nenhum ponto isso é verdade. O maior patrimônio de um jornalista é a sua agenda. A internet o ajuda a construir, renovar ou refazer a agenda. Ela facilita. Mas não é preciso ter muita fonte, é preciso ter a fonte certa. Oferta em quantidade não significa oferta de qualidade.
ComRemix – O senhor acredita em uma convergência de canais tradicionais e novos? Matérias impressas que continuam online ou vice-versa?
Caio Túlio Costa - A convergência não está nos meios nem nos (...)
O mundo mudou. Essa frase é mais velha que Matusalém, e nem por isso desatualizada. Minha avó conheceu o mar aos 50 anos. Tive um tio, no interior do estado de SP, que nasceu, casou, teve filhos, foi prefeito e morreu numa cidadezinha, sem nunca ter saído de lá. Eram tempos em que o mundo evoluía em câmera lenta… era um mundo 1.0!
A partir da segunda metade do século XX, no pós-guerra, nossa vida se acelerou tremendamente, nas asas da inovação propiciada pelo conflito. Até então, podíamos nos dar ao luxo de assistir às mudanças, como espectadores, como passageiros olhando a paisagem passar da janelinha de um trem.
Aí veio a Internet e mais recentemente a banda larga barata e os buscadores web. A velocidade das mudanças passou a ser muito maior do que a capacidade de absorção de nossos pobres cérebros. Bem-vindo ao mundo 2.0!
Mas, para nosso desafio, no mundo da Internet, das mídias sociais e da geração M (garotos multimídia), não há mais espaço para espectadores…. somos todos atores. Em 2009, alguém que se dê ao luxo de ignorar as mudanças e as novas tendências está fora! Fora do quê? Fora de tudo: do emprego, dos amigos, dos filhos, (...)



