
A comunicação corporativa é usualmente um grande desafio para as empresas. Isso em função de dois grandes problemas:
- As empresas não conhecem bem o perfil de seu público-alvo;
- E, principalmente, não conhecem seus maiores interesses no momento. Os interesses são sempre derivados das necessidades, que mudam continuamente.
Quando nós não conhecemos nosso público-alvo, as chances de desperdiçar criatividade e o dinheiro da comunicação corporativa são muito altas. Campanhas de propaganda, campanhas de marketing direto e ações de PR (mídia espontânea) são lançadas sem que tenhamos certeza de sua eficácia. Para que isso fosse possível seria necessário medir os resultados da comunicação corporativa, o que é muito difícil no mainstream, onde a informação é “empurrada” para o mercado num sentido único.
Como garantir o valor da comunicação corporativa? Teríamos que pensar a comunicação como um ciclo (virtuoso) e não como um disparo (e esse termo é muito frequentemente usado nas campanhas). Aí chegamos às redes sociais e sua utilidade para o mainstream de comunicação.
O termo redes sociais deriva das chamadas mídias sociais, as mídias democráticas que permitem a qualquer indivíduo, em qualquer parte do mundo (o blog Generation Y, da cubana Yoani Sánchez é um dos mais lidos do mundo), expressar sua opinião e, mais do que isso, comentar sobre as opiniões dos outros. As mídias sociais são interativas e abertas! Daí que quando uma empresa participa das redes sociais (através de seus blogs corporativos, do LinkedIn, do Twitter, do YouTube, do SlideShare e até do Facebook), as chances são que ela consiga entender melhor o perfil de seu público-alvo, suas necessidades, seus interesses, podendo assim adaptar a sacada criativa e o conteúdo das mensagens, visando o aumento da eficácia do mainstream de comunicação.
O público leigo, e isso é muito comum nas novas ondas, costuma qualificar erroneamente as mídias sociais. Vira e mexe aparece alguém prognosticando o fim da mídia tradicional (impressa, ou online), substituída pelas mídias sociais. Como dizem os americanos, it’s not gonna happen! Mídias sociais e mídia tradicional têm papéis muito diferentes.
A mídia tradicional é formal, depende da credibilidade do veículo e da relevância do emissor (empresa). Já as mídias sociais, são informais, aceitam as opiniões emitidas por qualquer pessoa, independentemente de quem seja. Na verdade, nas redes sociais a credibilidade é construída paulatinamente, à medida em que publicamos conteúdos relevantes e consistentes. O público julga e joga para a vala comum da irrelevância a todos aqueles que publicam conteúdos sem consistência.
A chave do sucesso da comunicação corporativa, nos dias em que vivemos, é sabermos testar idéias e conteúdos, via mídias sociais, ajustando-os ao perfil do público-alvo antes de publicá-los nas mídias tradicionais. Nesse sentido, é muito importante que as empresas desenvolvam o conceito de inteligência de comunicação. Analistas de comunicação (uma especialidade em alta), baseados no eco dos conteúdos da mídia tradicional nas mídias sociais, podem interpretar interesses, direcionando, aí sim, disparos do mainstream que façam sentido.
Dessa forma, as redes sociais terão o papel que Curitiba tem nas campanhas de propaganda, funcionando como um laboratório vivo, e muito mais eficaz, para tudo que será comunicado nas mídias tradicionais.

Vivemos uma silenciosa revolução que está transformando todos os pilares que sustentam a nossa realidade. Uma transformação com investimentos altos, propiciada por tecnologias audaciosas que constroem uma cenografia visionária e uma sociedade caracterizada pelo poder incorporado pela tecnologia, mas que é cada vez mais controlada pelas pessoas. Transformam-se as relações de produção, consumo, reprodução, experiência, poder e cultura.
Somos agora, parte de uma rede impulsionada por informação e tecnologias. Um sistema pós-moderno fragmentado, que mistura o real e o virtual. E no processo revolucionário, as esferas da comunicação sofrem profundo impacto e a mídia transforma-se em espaço público de negociação, caracterizado pela rede: globalmente conectada, flexível, abrangente e tecnologicamente versátil.
A digitalização da mídia e a conectividade proporcionada pela rede colocam todos os públicos na mesma plataforma para que juntos compartilhem a experiência da informação. As mídias sociais surgem para transformar o próprio processo de informação gerando novas formas de distribuição que são imediatamente processadas pela própria rede e transformadas novamente em informação num feedback infinito.
Se no século passado imperou a cultura de massa, neste quem reina é a cultura da diversidade e da inclusão, somos todos igualmente importantes em nossa diversidade única, projetando uma “aura de dados” que possibilita o desenvolvimento novas tecnologias extraordinárias e alucinantes. É a tecnologia que permite que a comunicação aproxime, conecte, ofereça identidades e contextos compartilhados.
A amplitude do fenômeno mídia social transformou milhões de pessoas de consumidores passivos em produtores ativos de conteúdo e revolucionam-se também as fontes de influência.
Segundo uma pesquisa realizada pela Universal Mccann, recomendações e comentários comprovam: os relacionamentos com caráter pessoal são a tendência. A evolução do uso demonstra que são as experiências positivas e qualidade que motivam o compartilhar de opiniões, refutando a idéia de que a rede seria um veículo usado majoritariamente para reclamações.
A experiência e a recomendação pessoal tornam-se influências mais fortes que os meios tradicionais e pagos de comunicação mostrando que a decisão de investir em qualidade pode garantir exposição maior do que seria possível alcançar comprando espaço na mídia tradicional. É a nova configuração das relações, a transparência, pois a sociedade em rede é cada vez mais uma comunidade, com laços estreitos pois não dependem do espaço físico.
E se as marcas tornam-se parte dos esforços do individuo para construir e manter sua própria identidade, precisam acompanhar a revolução social que transforma o indivíduo. Precisam estar dentro das mídias sociais devolvendo aos usuários a intimidade necessária para o ato da compra, de forma humana, sem tantas ferramentas de controle.
É preciso enxergar as perspectivas e desenvolver à partir delas novas habilidades para compreender e aproveitar as propriedades singulares da organização em rede.



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