Jornalista, professor de ética jornalística na Faculdade Cásper Líbero de São Paulo, doutor em Ciências da Comunicação pela Escola de Comunicações e Artes da USP e consultor em novas mídias, em comunicação, Caio Túlio Costa foi ombudsman do jornal Folha de S. Paulo e diretor dos portais UOL e IG. É autor de quatro livros: O que é Anarquismo, Cale-se, Ombudsman – O Relógio de Pascal e Ética, jornalismo e nova mídia – uma moral provisória.
Abaixo, a entrevista concedida por e-mail para o ComRemix:
ComRemix – Com a imensa disponibilidade de fontes encontráveis via web, a tradicional caderneta de contatos do jornalista perdeu força, igualando as possibilidades para comunicadores on e offline. Até que ponto isso é verdade?
Caio Túlio Costa – Em nenhum ponto isso é verdade. O maior patrimônio de um jornalista é a sua agenda. A internet o ajuda a construir, renovar ou refazer a agenda. Ela facilita. Mas não é preciso ter muita fonte, é preciso ter a fonte certa. Oferta em quantidade não significa oferta de qualidade.
ComRemix – O senhor acredita em uma convergência de canais tradicionais e novos? Matérias impressas que continuam online ou vice-versa?
Caio Túlio Costa - A convergência não está nos meios nem nos conteúdos, está no indivíduo. É ele, o indivíduo, quem converge. É ele quem escolhe qual conteúdo e em qual suporte ele deseja ver ou interagir com.
ComRemix – Quais os papéis que a mídia convencional e as novas mídias terão no mundo corporativo?
Caio Túlio Costa - O mundo corporativo ganhou poder de mídia com a nova mídia – assim como qualquer indivíduo, qualquer instituição… O papel desse poder, o alcance, a freqüência e a audiência é outra coisa, é outra discussão – mas o fato é que a mídia tradicional não é mais a atriz principal da comunicação – ela tem que dividir esse poder com o indivíduo, com as instituições e com as empresas.
ComRemix – Como as novas mídias e as redes sociais influenciarão mudanças na mídia convencional?
Caio Túlio Costa – Se eu soubesse responder a isso estaria rico…
ComRemix – Os blogueiros são uma “nova casta” de jornalistas, ou estamos diante de um fato novo? Como os blogueiros mudarão o papel dos jornalistas?
Caio Túlio Costa - Não existe nova casta de jornalista – jornalista é o jornalista, aquela pessoa com vocação para a profissão e que se formou para tanto – seja na prática do ofício seja numa universidade. Não há mudança no “papel” do jornalista, ele continua sendo o intermediário, o moderador, o analista, o elo entre o fato, a notícia, a opinião e o público consumidor da informação. Ele é aquele que representa para os outros a representação que os diversos atores do fato lhe fazem ou lhe sugerem. O que mudou foi que o jornalista deixou de ser o ator principal da comunicação unilateral como ela vinha sendo feita desde sempre. Agora, o jornalista divide espaço com o não jornalista (com o indivíduo egocêntrico, com o cidadão, com o blogueiro, com o site de uma instituição qualquer, com o site de uma empresa). Foi isso que mudou – não mudou o papel do jornalista. E ainda há jornalistas que são blogueiros também.
3 comentários em " Entrevista com Caio Túlio Costa – A comunicação 2.0 vai matar a tradicional? "
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Que entrevista boba. Respostas vagas para perguntas sem nexo.
Excelente entrevista, como sempre, do CT. Fui seu aluno na Cásper e ele foi o melhor professor do curso inteiro. Não apenas pelo conhecimento e pela clareza das ideais, mas pelo rigor e pela objetividade, virtudes que transparecem na entrevista. Concordo com suas colocações, que passam longe do senso comum disseminado sobre as novas mídias. É sempre estimulante e inspirador ler ou ouvir o que CT tem a dizer.