As Mídias Sociais estão acabando com o jornalismo?

Bastaria uma razão para pedir a bênção à Internet: ela tirou os jornalistas do pedestal. O Velho Jornalismo acabou. Ficou ridículo. Ainda bem!!

A imagem de uma matilha de jornalistas decidindo, sozinhos, o que o público ia ler, ver e ouvir ficou tão antiga quanto uma pintura rupestre.

O Velho Jornalismo – aquele em que só os jornalistas “emitiam” informação – acabou. A Internet fundou outro planeta. Terra à vista!

As frases acima foram publicadas sequencialmente pelo twitter de um blogueiro. Um momento. Blogueiro? Sendo assim, que moral então ele teria para opinar sobre o trabalho dos jornalistas? Só gente com bastante vivência em redações possui credibilidade para tanto, ora essa. Além do blog e twitter, o que mais esse indivíduo fez por aí?

Muita coisa. O autor das frases acima é o jornalista Geneton Moraes Neto, dono de um currículo considerável. Ele já foi editor do Jornal Nacional e Jornal da Globo, por exemplo. Profissionais desse nível não perdem tempo publicando especulações, seja lá em qual veículo for. Eles gostam de anunciar fatos, sem as afobações tão comuns dos que estão no início da carreira. Sim, acabou essa história dos jornalistas serem os únicos detentores da informação. Fim do monopólio. Graças a internet. Fato.

Quer dizer então que hoje qualquer um pode informar a sociedade a partir de posts e tuitadas? Sim. E quanto a credibilidade desse conteúdo? Bem, isso nem sempre vem no pacote. Se o indivíduo seguir todas as premissas do bom jornalismo, sobretudo mantendo o zelo na apuração do que será publicado, ótimo. Caso contrário, perde a confiança de seus leitores, sem chances de fidelizar uma audiência considerável. É a própria rede que determinará a relevância dessa pessoa. Nesse sentido, quem não tiver competência sempre falará sozinho nas redes sociais. Simples assim.

Perdem aqueles jornalistas que ainda desprezam os blogs de uma forma geral. Fecham os olhos para fontes que renderiam ótimas sugestões de pautas. O médico que escreve sobre particularidades de seu ofício, o turista que compartilha dicas para uma melhor viagem, a mãe que contribui no exercício da cidadania e por aí vai. Blogs e demais conteúdos gerados pelas mídias sociais podem ser ótimas referências, não só para o jornalista, mas também para o leitor, que tem encontrado cada vez mais opções para se informar pela tela do computador. Ou do smartphone mesmo.

Sim, como disse o Geneton Moraes Neto, o velho jornalismo acabou. Já vai tarde.

16 comentários em " As Mídias Sociais estão acabando com o jornalismo? "

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  • [...] This post was mentioned on Twitter by Mário Soma, Renata Ruiz, Erika, Claudir, Cecília Lima and others. Cecília Lima said: RT @renataruiz: Alunos leiam e reflitam RT “@msoma: As Mídias Sociais estão acabando com o jornalismo? http://bit.ly/dmNZsg #Comremix” [...]

  • Vale destacar que Geneton mencionou o fim do VELHO Jornalismo, e não do Jornalismo por si só. Ou seja: o Jornalismo precisa inovar muito em conteúdo e forma se quiser atingir o público digital, que será o cliente do futuro. Só temos a comemorar!

  • Cesar Calejon disse:

    Ótimo post! Hoje, por exemplo, ocorreu outro tsunami na Indonésia e eu registrei pelo menos 5 posts de amigos no Facebook abordando o fato antes de qualquer veículo on line, imagine os impressos então…

    De fato a SM está mudando não somente o jornalismo, mas a forma como os seres humanos interagem…

    Abraço!

  • Mario, abordagem interessante. Após evento da Abracom, um colega e eu conversamos justamente sobre este cenário: mídias sociais x jornalismo. Ele defendeu que ambos são distintos. Já um outro profissional, dias depois, defendeu que mídias sociais e jornalismo são complementares. Eu acredito em uma terceria via: é possível fazer, de certa forma e em novo formato, jornalismo em mídia social. Abs e parabéns pelo texto, Capella.

    • Mario Soma disse:

      Rodrigo, eu sou meio suspeito para falar, pois a minha carreira já passou muito pelos dois lados. Mas acho que o post deixou bem clara a minha posição. Abs e muito obrigado pelo comentário!

  • Mauro Segura disse:

    Essa é uma ótima reflexão. Eu não acredito que o jornalismo vai acabar, mas concordo quando dizem que o velho jornalismo vai desaparecer. O fato é que a internet está invadindo o espaço dos jornais, revistas e TV. Eu, absolutamente, vibro muuuito quando vejo um matéria no JN Nacional citando que a informação veio do twitter ou do blog de alguém. E isto está mais frequente do que imaginamos. Acredito que esta “guerra” está mais para o lado da competência e credibilidade do que para o lado do velho versus o novo jornalismo. O mundo sempre terá espaço para quem mostrar qualidade, inovação e crediblidade. O fato, nu e cru, é que a internet é maior plataforma de inclusão social e informativa do planeta, transformando cada habitante num ser duplo: jornalista e consumidor de informação. Abraços e parabéns pelo blog. Estou sempre por aí. Mauro.

  • Mario Soma disse:

    Você que leu o post, por favor, fique à vontade para comentar. Não tenha medo, pois este é um espaço democrático. Estudantes, profissionais…, aguardo suas contribuições!

  • Mário, cá entre nós, “as mídias sociais estão acabando” é com muita coisa. Com o velho jornalismo, com o velho RP, com a velha publicidade, com o velho conceito impositivo e absolutista de relevância, enfim, com MUITA coisa. Criam outros problemas, sim, de outras naturezas ,e até por isso, não serão a salvação do mundo ou a sua reinvenção em relação à forma como o conhecemos, (reinventam apenas algumas dessas coisas) mas… estão longe de ser a involução preconizada por Andrew Keen. Muito, antes, pelo contrário, como você bem coloca aqui. Grande abraço! Prazer em relê-lo.

  • Fran disse:

    Não acredito em fim do jornalismo, mas acredito em fim do jornalismo como o conhecemos. Reformas e alterações de rumo que vem acontecendo ao longo dos séculos a cada mudança da sociedade, surgimento de novo meio de comunicação. É adaptação, mas o jornalismo continua sendo necessário e não vai morrer assim tão cedo.

    • Mario Soma disse:

      Fran, sem dúvida, o jornalismo continua sendo necessário e continuará se transfomando sim. O importante é estarmos atento a tudo isso, livre de preconceitos e abertos às mudanças.

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