
É praticamente impossível esquecer a corrida pelo ouro durante a década de 80. Milhares de pessoas apostaram suas vidas no garimpo de Serra Pelada – considerado o maior a céu aberto mundo – buscando as pequenas pepitas de ouro no meio de muita terra, calor e poeira cinzenta de monóxido de ferro no ar. Era uma vida difícil mas de grandes oportunidades.
Vejo a internet como um retrato estampado da Serra Pelada. Basta refletir: Você lembra da quantidade sites, portais, feeds, blogs e até redes sociais que acessou nas últimas 24 horas tentando encontrar alguma informação ?
Pois é, a minha vida não é muito diferente da sua, passamos horas e horas na internet buscando informações relevantes para nossas vidas, assim como os garimpeiros de Serra Pelada.
Diariamente somos bombardeados por uma avalanche de dados e informações espalhadas no universo digital. Segundo uma pesquisa do IDC o volume de informação digital gerada no ano é três milhões de vezes maior do que a informação contida em todos os livros já escritos, talvez você tenha percebido ainda mas fazemos parte dessa revolução.
É só digitar “Eleições 2010” no Google News que você entenderá o que quero dizer.
No mundo empresarial o cenário é bem mais complexo, o volume de informações sobre um determinado mercado, clientes e até concorrentes é cada vez maior, além disso tudo está fragmentado, distribuído em diversos canais e espalhado em muitos países. O principal dilema das empresas é encontrar e utilizar essas informações para melhorar a competitividade de seus negócios.
Parte deste quebra cabeça pode ser equalizado com os sistemas de inteligência de comunicação: ferramentas desenvolvidas para monitorar, coletar, analisar e fornecer informações relevantes que facilitem a tomada de decisão aos executivos de marketing.
Três etapas são fundamentais para implementação de um modelo eficaz de inteligência de comunicação: Pesquisa, relevância e disponibilidade .
Pesquisa:
Monitorar, pesquisar e coletar de informações em tempo real publicados tanto na mídia tradicional (jornais, revistas, portais, etc) como nas redes sociais (blogs, fóruns, comunidades, twitter, etc).
Relevância:
Não basta monitorar e coletar. Uma informação só é relevante quando impacta na estratégia de negócio. É a etapa é a mais critica, pois é impossível automatizar um processo de análise de relevância, com tratamento é manual por analistas de mercado.
Disponibilidade:
É uma etapa que muitos sistemas de inteligência não priorizam. Não dá para imaginar que as informações fiquem represadas no departamento de marketing – e olha que isso acontece muito digo por experiência própria. Concentre a relevância, descentralize o acesso e distribua para todos.
Espero que você não fique horas buscando pelas pepitas de ouro do seu negócio, deixe um sistema de inteligência fazer isso por você, tome a decisão correta.
As conclusões da pesquisa realizada sobre mídias sociais pela Deloitte Touche Tohmatsu, com 302 empresas no Brasil, apontou que 12% apenas das respondentes não considera aplicável a sua adoção, porém revela outras nove razões para uma empresa refletir, antes de entrar nesse mundo:
1. Falta de tempo para gerenciar mídias sociais ou comunidades (49%)
2. Dificuldade para fazer com que as pessoas participem (38%)
3. Falta de conhecimento em gestão de mídias sociais (31%)
4. Dificuldade para fazer com que as pessoas continuem usando e se relacionando (25%)
5. Dificuldade para atrair usuários (24%)
6. Dificuldade para encontrar pessoas com perfil e qualificadas para tocar as iniciativas (24%)
7. Obtenção de dinheiro para continuar investindo em melhorias (23%)
8. Relutância dos gestores em compartilhar informação (21%)
9. Falta de compromentimento da alta liderança da empresa (14%)
10. Não aplicável (12%)
Os top 10 dados apresentados (existem outros) são os pilares fundamentais para o sucesso de um projeto e determinantes para definir a maturidade do uso das mídias sociais. Acrescente também tecnologia e cultura de comunicação, por minha conta, pois são obstáculos intransponíveis, se não forem resolvidos a tempo.
O encantamento pelas mídias sociais, na maioria das vezes, desvia a nossa atenção para uma realidade corporativa difícil de se perceber, pois até agora estava fora do radar das prioridades de investimento.
Muito se vê sobre o tema e, provavelmente, de alguma forma as mídias sociais podem beneficiar a sua empresa. Porém, se os obstáculos acima rondam o ambiente do seu trabalho, redobre a atenção sobre o diagnóstico e planejamento, pois nem tudo o que é bom para outros, na prática, pode ser para você. Pense nisso!



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